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Channel: A Pipoca Mais Doce
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Um filme engraçado

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Antes de ter lido a crónica que o Miguel Esteves Cardoso publicou hoje no Público, já eu tinha visto A Gaiola Dourada e já tinha escrito no Facebook que tinha achado o filme engraçado. Só engraçado, mais nada, em oposição a todos (e são muitos) os que o acham brilhante. O MEC foi bem mais longe do que eu: "(..) Gaiola Dourada nem sequer uma boa merda é: é uma merda má. Não tem graça: nem uma desgraça consegue ser." Ok. A mim não me deu para tanto, também não achei que fosse assim tãaaaaao mau, mas a verdade é que estava à espera de muito mais. O problema são as sacanas das expectativas. Comecei a ouvir toda a gente dizer que era uma maravilha, uma obra-prima, o melhor filme português de sempre, altamente comovente, altamente hilariante, altamente tudo, e fiquei com a curiosidade em êxtase. Depois comecei a ver. Fui vendo, fui vendo, fui vendo, sempre à espera da tal emoção nunca antes sentida, do sentido de humor do melhor que há,  de uma história fascinante e... nada. Não vi nada disto. Tirando uma Rita Blanco absolutamente maravilhosa (mas que o é em qualquer filme, este não é novidade), tudo o resto achei banal. Engraçadinho, uma ou outra piada divertida, mas uma história que não traz nada de novo e que nem sequer é particularmente abonatória da imagem dos portugueses por esse mundo afora. Basicamente, faz com que continuemos a ser vistos como uns provincianos folclóricos e sem cultura, sem grandes ambições na vida. Há quem diga que isto é um hino aos nossos emigrantes, mas eu acho que a nova vaga de emigrantes já pouco tem a ver com esta que é retratada no filme, a dos poucochinhos que só dão para porteira ou para homem das obras. Temos mentes brilhantes a saírem de Portugal diariamente e a distinguirem-se nas mais variadas áreas, somos mais, muito mais, do que a porteira. Sem nenhum desprimor para a porteira, apenas acho que já não somos (só) isso e que é preciso que nos comecem a ver com os outros olhos, em vez de estarmos bater sempre na mesma tecla. Ainda assim, eu percebo o porquê do sucesso. É um filme simples, com uma história perceptível e que dá para rir e descontrair um bocado. É bom para entreter, mas daí a elevarmos a coisa a uma obra-prima da sétima arte ainda vai uma boa distância. A verdade é que estamos tão habituados ao mau cinema nacional, com argumentos sem nexo e imagens estáticas durante 17 minutos, que quando aparece um filme falado em português e com uma história simples e que se percebe, já achamos que isto é uma coisa para cima de espectacular. Mas não é. Para já,  e apesar de se falar português, este não é um filme nacional, é um filme francês. E para filme francês... desculpem lá, mas já vimos muito melhor. Ficamos, então, com um filme levezinho e engraçado. Só engraçado.

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